sexta-feira, 8 de abril de 2011




Ao abusar do gestual, companhia Delirivm faz plateia reverenciar o silêncio
Trupe de São Simão participa pela terceira vez do Festival de Curitiba
31/03/2011 - 19:05

Especial para EPTV.com - Tiago Gonçalves

Quando termina o espetáculo "E Toda Vez Que Ele Passa, Vai Levando Qualquer Coisa Minha...", o espectador reverencia o silêncio. Não à toa. Por bons momentos, a plateia passa a degustar a economia das palavras descartáveis proposta pela Delirivm Teatro de Dança, radicada em São Simão. Depois de enjoarem da mudez, os comentários ligeiros brotam dos espectadores mais tocados: "Simples. Não precisou dizer nada", comentou uma garota, enquanto desamarrava sua bicicleta de um orelhão.

Se no palco apenas suspiros ou gemidos são permitidos, fora dele os integrantes (todos na casa dos "entas", de 57 para cima) da trupe esbanjam da fala. E como falam. Um almoço no shopping com a trupe é um prato cheio para gargalhadas e reflexões. Novamente, não à toa. As histórias por ali, são muitas. Enquanto um conta o passado dedicado ao futebol, outro narra as peripécias dos antepassados, imigrantes ucranianos. E por aí vai! Se der corda, o papo vem e a hora vai.

Digressões à parte, "E Toda Vez", em cartaz desde 2003, conduz ao espectador a uma fabulosa estação de trem, adormecida no tempo (e no silêncio). Estando diversas figuras por lá, arquétipos dos anos que se foram; histórias desfilam como modelos, mas sem tanta pompa. Afinal, aquelas figuras estão presas, à espera de um vagão, que nunca para. E se parasse, pode pensa o espectador, mas não para. "É o reflexo do abandono. Estão lá, sem a interferência de fora", explica o diretor. Ao espectador uma dúvida paira e o diretor coloca pilha: "Podem ser fantasmas sim, que vagam por ali há tanto tempo".

Enquanto o espetáculo se molda pelo simbólico, a concepção do elenco bebe no real. Ao mesmo tempo em que trazem vivências pessoais ao papel, os intérpretes enxergam no outro que já se foi tamanha inspiração para completar a personagem. "Me baseei em Ceci, minha professora de piano", conta uma. "Já eu em Dona Coló, uma velha muda, surda e enxerida", lembra outra. Por outro lado, o espetáculo também estaciona na situação, como aponta o diretor, da estação de trem de São Simão. "Esquecida!"

"E Toda Vez..." se constrói a partir de duas técnicas. Apesar de um sopro de butô ("olhar para dentro de si, mas com uma dimensão espacial"), a cena flerta com o Teatro-dança proposto por Mary Wigman, com a cadência do expressionismo alemão. Aliás, Pina Baush bebeu na fonte de lá. Portanto, um compromisso com a liberdade e emoção no gestual. Expressa a potencialidade do corpo que dialoga com objetos e está a serviço do intérprete. Instiga os movimentos cotidiano ao transformá-los em dança", comenta o diretor, perito da modalidade no País.

A trupe
A Delirivm Teatro de Dança nasceu em 1986, sob a tutela da Ogawa Butoh Center, coordenada por João Butoh. Em 25 anos, a companhia da "maior idade", como a define João Butoh, aventurou-se por quatro montagens. Além de "E Toda Vez...", "Mulieribus" ("retalhamos a história para evidenciar os momentos em que as mulheres foram protagonistas", lembra o diretor), "Anjos Caídos" ("mostra a terceira idade em São Simão, algo que está a quem da sociedade") e "Claire de Lune", que narra as venturas de artistas que sonham. "Este estrou em 2003, aqui no Festival. Neste mesmo ano, apresentamos ainda "Mulieribus", que remontaremos em breve".

A trupe não para. Quer cair ainda mais na estrada com "E Toda Vez...", rodar os lugares onde as estações ferroviárias ainda velam de pé; mas não deixa em esboçar nova produção. O tema da vez será: Alzheimer. O figurino, cenários e até o nome do espetáculo: "Para Quando Eu Esquecer de Mim" já foram definidos. Em compensação, a pesquisa ainda engatinha. "Não temos pressa. Nosso processo é lento. Estamos ainda atrás de histórias de pessoas que perderam seus referenciais a partir da doença", explica Butoh.

*O jornalista foi convidado pela organização do Festival de Curitiba

Delirivm Teatro de Dança mostra morte na terceira idade


Delirivm Teatro de Dança mostra morte na terceira idade
Publicado em 1 de abril de 2011 por Jussara Tech

Jussara Tech
“Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem, quem vai chorar, quem vai sorrir? Quem vai ficar, quem vai partir?” A música do Raul Seixas expressa bem a peça “E toda vez que ele passa vai levando qualquer coisa minha…” sem uma palavra, nove velhinhos em uma estação de trem esperam com seus objetos e recordações o trem, metáfora para morte.

Para Aline Piennastki a intenção lírica de como pode ser lúdico esperar o fim foi o que mais a encantou, a espectadora afirma que durante a peça quase chorou várias vezes. Francisco Moreira, um dos atores, disse que para ele que está a muito tempo na estação e já viu muitos amigos pegarem o trem há um sentimento de emoção muito forte.

Essa peça deveria acontecer no Largo da Ordem – Bebedouro foi rapidamente transferida para o devido ao tempo instável.

Serviço:
Data: 01 e 02/04
Horário: 16 h e no sábado às 18h30.
Local: Bebedouro – Largo da Ordem
Ingresso: Gratuito

Da vida de aposentado para o aplauso nos palcos




GAZETA DO POVO - CURITIBA - PR

VIDA E CIDADANIA - Terceira Idade

Arte

Da vida de aposentado para o aplauso nos palcos

Grupo de teatro de São Simão, no interior de São Paulo, aposta na maturidade e mostra que não há idade para receber aplausos


Publicado em 07/04/2011 | Vanessa Prateano

Daqui a alguns anos, a cidade de São Simão, no interior de São Paulo, poderá entrar para a história como a terra das oportunidades. Com 15 mil habitantes, poucas indústrias e um “jeitão de vila”, como diz um de seus moradores, a cidade não costuma segurar muito os adolescentes e adultos na faixa dos 30 a 40 anos – a maioria migra para municípios ao redor, como Ribeirão Preto, para estudar e arranjar emprego. A oportunidade de que se fala é outra, e é dada a quem já disse adeus à carteira de trabalho. Há 25 anos, o Grupo Delirivm (lê-se “delirium”) Teatro de Dança fisga os idosos de São Simão e transforma-os em atores. Nesse tempo, o grupo já viu “nascer” 32 deles.



A debandada dos jovens da cidade foi, inclusive, a inspiração para que o bailarino João Roberto de Souza, conhecido como João Butoh, criasse o grupo em 1986. “Até então, trabalhávamos com os jovens, mas, quando eles terminavam o ensino médio, muitos iam embora para Ribeirão Preto para estudar e prestar vestibular. E o projeto perdia força. Aí, resolvemos apostar na terceira idade. O resultado foi gratificante”, diz. Ao longo desses 25 anos, a trupe se tornou conhecida, ganhou prêmios, viajou por vários estados e entre o fim de março e o começo deste mês esteve em Curitiba para participar pela terceira vez da Mostra Fringe, do Festival de Teatro de Curitiba.



Preparação

Atores estudaram por um ano



Embora criado para aplacar a solidão de quem frequentava o Clube Renascer nos idos de 1980, o Delirivm é também um compromisso para o diretor e os atores. Para a última peça, chamada E toda vez que ele passa vai levando qualquer coisa minha, os atores passaram mais de um ano estudando com a ajuda de professores do curso de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo. Para a peça (que conta histórias do tempo em que a economia e a vida social da cidade giravam em torno do trem), os atores visitaram a vila férrea de Paranapiacaba, em Santo André (SP), tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em uma espécie de “residência”.



A experiência de vida e a relação com a cidade daquela época foram fundamentais para dar vida aos personagens. No caso de Cátia Buono, a inspiração veio de uma vizinha “surda, muda e enxerida” que a atriz conheceu na juventude no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Já Cida trouxe para o palco as memórias de infância. O pai era ferroviário e a família morava em uma parada entre duas estações. “Cresci dentro do trem, e era de trem que eu ia para a escola”, diz. Uma professora de piano da infância foi a inspiração de Stella e, para Francisco, as viagens de trem entre Santos e São Simão feitas nas férias.



As memórias de uma colega já falecida também ajudaram. Pouco antes de morrer, a aposentada Inês Barrero contou aos colegas que na adolescência namorou um rapaz de Batatais. O namoro não vingou e ela se casou com outro. Na montagem, o vestido de noiva com o qual ela esperava entrar na igreja foi representado em cena.
Um dos primeiros grupos de teatro formado inteiramente por idosos, o Delirivm foi viabilizado por meio de uma parceria entre o centro cultural Ogawa Butoh Center, mantido pelo diretor, e o Clube da Terceira Idade Renascer, mantido pela prefeitura, onde Butoh “convoca” os membros do grupo. O resultado pode ser visto no sucesso feito na cidade, nos convites para participar de festivais no interior de São Paulo, no Uruguai e na Ale­manha e nas histórias que surgem após alguns minutos de conversa com os atores.



“Eu costumo dizer que eu ganho mais do que ofereço. O resultado que alcançamos é incrível, fruto da experiência. Esses atores têm uma força no palco que só a história de vida justifica”, diz Butoh, de 46 anos. O grupo já realizou mais de 20 espetáculos, entre os de curta e longa duração, e atualmente viaja com a peça “E toda vez que ele passa vai levando qualquer coisa minha”, sobre histórias vividas pelos habitantes da cidade junto à estrada de ferro do lugar, que nos primeiros anos do século 20 gerou empregos na cidade e foi responsável pelo escoamento da safra de café.



Em conversa por telefone, enquanto ensaiavam, alguns dos atores conversaram com a Gazeta do Povo e contaram sobre a experiência. Leia ao lado.

terça-feira, 5 de abril de 2011

MAIOR IDADE EM AÇÃO - Jornal Ecoss - 02/04/2011




OS CAFEZAIS SEM FIM

O Grupo Renascer que está se preparando intensamente para os Jogos Regionais dos Idosos – o ”JORI”, escolheu como tema da modalidade coreografia um aspecto bastante importante na história de nosso município – “o ciclo do café”.
As avós simonenses levarão ao palco um pouco da história que seus pais e avós vivenciaram e as mesmas puderam observar com relevância para falar dos cafezais sem fim.

A lembrança do nosso “Morro do Cruzeiro” totalmente coberto por cafezais é uma informação histórica mais que suficiente para a inspiração para esta obra. Serão 16 mulheres que estarão homenageando os agricultores que trabalharam de sol a sol e que foram imprescindíveis para fazer com que a nossa cidade tornasse pólo dos “Barões do Café”.



“Q.LINDO” EM CURITIBA


O Grupo Delirivm Teatro de Dança que está na cidade de Curitiba-PR participando do Festival de Teatro, levaram consigo alguns dos produtos artesanais que estão sendo confeccionados com a Marca “Q.Lindo”, para serem comercializados na Capital Paranaense. O Objetivo é dar visibilidade para o nosso artesanato e aproveitar as oportunidades para a divulgação e venda dos produtos nas mais variadas ocasiões.
Também estão sendo vislumbrados acordos com a “Sutaco”, Promoart” e “Feira de Economia Solidária” para a comercialização destes produtos artesanais e divulgar o nosso município por meio de vários aspectos e dispositivos culturais.



ATIVIDADES PARA IDOSOS NA “TERCEIRA IDADE”:


Reuniões – terças-feiras – 15h00

Artesanato - 5ªs feiras e 6ªs feiras - 14h30

Canto coral - 5ªs feiras - 19h30 - Profa. Stella Pasquini

Ginástica - 2ªs feiras e 4ªs feiras - 7h30 – Profa. Gislaine

Teatro - 2ªs feiras e 4ªs feiras - 19h00 - Prof. João Roberto de Souza

Controle de glicemia e pressão as 5ªs feiras as 7h30 – Enfa. Fernanda Borelli

Local: Centro de Convivência da Maior Idade "Irineu Quartarolla”

Av. Simão da Silva Teixeira, 2.210 - Centro


PARTICIPEM! E SEJAM BEM-VINDOS!